Pânico com o Coronavírus! Mas e o resto, vamos esquecer?

Voltei ontem de viagem e me deparei com uma cena insólita: muita gente com máscaras no aeroporto. E possivelmente haveria mais gente ainda se se estas máscaras não estivessem em falta nas farmácias, assim como álcool gel. E tudo isso por conta do pânico criado com o coronavírus.

Sim, todo cuidado é pouco, é um vírus perigoso, com uma taxa de mortalidade entre 1% e 2% em boa parte das idades, mas que sobe para acima de 15% no caso de pessoas acima de 80 anos. Prevenção é fundamental, mas não podemos entrar em pânico.

Até porque, ao contrário de muitos outros países, o coronavírus tem competidores à altura no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, somente em 2019, mais de 1,5 milhão de pessoas contraíram dengue, com 782 óbitos. Para a chikungunya foram 132 mil casos confirmados, com 92 pessoas perdendo a vida. Zika afetou quase 11 mil pessoas, com 3 mortes.

E não foram somente os casos decorrentes das arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes. Algumas doenças voltaram ou seguem se expandindo ao Brasil nos últimos anos, como a febre amarela e o sarampo, que registrou mais de 18 mil casos em 2019, com 15 óbitos.

Em poucas palavras, todo o cuidado é pouco com o novo coronavírus, mas isso não significa baixar a guarda com outras doenças que têm afetado de forma significativa nosso país. Falta bom senso, inclusive da imprensa, para dar a importância devida a este fato, entrar em pânico não ajuda ninguém e pode inclusive atrapalhar mais do que ajudar!

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